Desde que na década de 90 tornou-se moda para criar transgênicos (organismos geneticamente modificados OGM), vivemos rodeados por eles, sem saber claramente quais os efeitos. De grandes empresas multinacionais, que são comercializados em destaque as vantagens, e assegurar que o seu objectivo é erradicar a fome no mundo. No entanto, a realidade é muito diferente, pois essas empresas têm repetidamente mostrado que, após este tema utópico os únicos alvos que estão escondidos são puramente econômicos e políticos: "Dez anos após o primeiro cultivo transgénico não tenha sido reduzido ou fome ou a pobreza ", diz o Centro Africano de Biossegurança (Centro Africano de Biossegurança).
Vox populi é a ligação de alguns políticos americanos com empresas de biotecnologia. Um dos exemplos mais claros é o do ex-secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, que durante anos levou Searle & Company. Esta empresa estava à beira da falência e foi criticado pelo Food and Drug Administration (FDA) para mercado aspartame, um adoçante supostamente perigosas, quando Rumsfeld assumiu suas rédeas. Misteriosamente, cinco anos depois, a relutância do FDA desbotada e os lucros das empresas subiram 17%. Em 1985 a empresa foi adquirida pela Monsanto.
Esse líder multinacionais de biotecnologia, goza de um passado um pouco escuro. A Monsanto foi a fabricante do agente laranja usado durante a Guerra do Vietnã e "causou o endividamento de muitos agricultores na Índia, que completaram o suicídio", disse Angeles Parra, diretor da Biocultura. Um dia, um representante da Monsanto, muitos agricultores foram para a Índia para vender sementes geneticamente modificadas de algodão Bt.
Supostamente, esta semente mágica iria fazer a produção de algodão magia crescer como incêndios e, consequentemente,seus lucros. Aqueles agricultores apostaram na oferta tentadora e fariam a compra. Mas o que a Monsanto não informa de que essas sementes só serevem para uma vez, e que os gastos com herbicidas também aumentaria. As culturas não foi bem assim que estes agricultores estão em um beco sem saída. Muitos deles se suicidou.
Outro episódio polêmico em que esta empresa esteve envolvido ocorreu entre 1997 e 2002, quando foi descoberto que eles haviam subornado mais de 100 funcionários na Indonésia para fazer vista grossa para os seus produtos.
Os Sete Pecados Capitais
Vários grupos ambientalistas dizem, "A Monsanto é supostamente conectada com as empresas de armamento e que tem todo o interesse em acabar com milho orgânico do Iraque para impor a sua." De Transgenic Unidade de Crimes do Greenpeace produziu um documento intitulado, "Os Sete Pecados Capitais da Monsanto", onde eles dizem que, em 2005, um tribunal alemão condenou a multinacional a emitir uma declaração que havia realizado testes em ratos ligado ao milho transgênico MON863, e que a empresa se recusou a revelar. A lista de "irregularidades" é interminável segundo o Greenpeace. A Confidencial tem estado em contacto com a empresa, mas ela não quis dar declarações.
Vários estudos concluem dizendo que as variedades transgênicas contamina os outros da mesma espécie ou relacionados. Um exemplo disto é a BT nas plantas, que são um tipo de milho, cujo cultivo é permitido na Espanha e que produz uma toxina que é embebido no chão. A GM pode destruir a biodiversidade, a poluição química aumenta devido à crescente utilização de pesticidas pode contaminar outras culturas e reduzir os rendimentos. Mas os efeitos negativos afetam não só o ambiente mas também para a saúde com o suposto aparecimento de novas alergias, resistência aos antibióticos e câncer.
No entanto, nem todas as opiniões são negativas para os OGM. O Comitê Consultivo de Ética para a Investigação Científica do Ministério da Educação e Ciência afirma que "a biotecnologia vegetal e de alimentos tem benefícios como aumento da produtividade e contribuir para o desenvolvimento de alimentos mais nutritivos. Por seu lado, Juan Ramón Lacadena, um perito em genética, é fortemente a favor do uso da GM: "Minha opinião é sempre positivo a ser tratada com cuidado do ponto de vista ambiental, agronômica e nutricional. Acho que está certo. "
Mas os consumidores têm a opção de escolher não produtos GM? Juan Felipe Carrasco, chefe da campanha do Greenpeace, da GM, disse que "a falta de transparência é muito elevado. Por isso, decidimos fazer um guia de marcas vermelhas aparecem onde eles usam alimentos geneticamente modificados. A maioria foi retirada dos produtos, porque era uma mancha. "
Tags claro
E é que a lei em nosso país não está totalmente claro. Desde 2004, todos os produtos que foram geneticamente modificados devem ser rotulados de onde vêm essas especificações. No entanto, "sem carne, sem ovos tem que ter isso. Considerando que os alimentos transgênicos são utilizados para alimentar os animais, em muitos casos estamos realmente consumir produtos que contenham estas substâncias e não saberemos ", disse Carrasco.
A Espanha é permissivo para a produção de OGM, como é o único país da União Europeia que os cultivos transgênicos comercialmente. Em 2004, ele plantou 58.000 hectares de milho geneticamente modificado com genes de bactérias.
O contraponto de produtos transgênicos é encontrado na agricultura biológica. Mais e mais consumidores a optar por produtos que são livres de herbicidas. Enquanto em Espanha, tais culturas estão apenas começando a se desenvolver. 90% da nossa produção orgânica é exportada. Angeles Parra diz: "É preciso uma promoção destes produtos. De fato, o Ministério da Agricultura lançou uma campanha para divulgar os benefícios dos produtos orgânicos.
Mas para aqueles que desconfiam de seus alimentos sempre ser alternativamente realizar a última tendência é plantar seus próprios vegetais em vasos dentro de casa, cuja qualidade é absolutamente garantido.
***Transcrição em Lingua Portuguesa da página do site elconfidencial.com
Nergritos - suburbioemfoco.
domingo, 13 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
COLTAN x Congo - Mineral que mata




Coltan, abreviação de columbita-tantalita é um minério metálico composto de nióbio e tântalo, encontrado principalmente nas regiões do leste da República Democrática do Congo (formalmente Zaire). Quando refinados, coltan torna-se um pó resistente ao calor, tântalo metálico que possui propriedades únicas para armazenar carga elétrica. Das 525 toneladas de tântalo utilizados no E.U.A. em 1998, 60% foi utilizado em capacitores de tântalo, com um crescimento previsto de 14% ao ano (a partir de Uganda Gold Mining Ltd Web site).
É, portanto, um componente vital para os capacitores que o fluxo de controle de corrente em placas de circuito de telefone celular.
« Cada quilo de coltan custa a vida de duas crianças »dentre sete e dez anos, a ’ 25 centavos de euro ao dia.Com o coltan são fabricados mísseis, telefones celulares e até brinquedos
Mineração de coltan
Coltan é extraído com a mão no Congo por grupos de homens cavando bacias em rios de demolição de fora da lama superfície. Eles então "chapinhar" na água ao redor da cratera, o que faz com que o minério de Coltan a liquidar até ao fundo da cratera, onde ele é recuperado pelos mineiros. A equipe pode "minar" um quilo de coltan por dia.
Um relatório recente da ONU afirmou que todas as partes envolvidas na guerra civil local ter sido envolvido na mineração e venda de coltan. Um relatório sugeriu que o exército ruandês vizinha fez E.U. $ 250 milhões da venda Coltan em menos de 18 meses, apesar de não haver Coltan no Ruanda a mina. As forças militares de Uganda e Burundi, também estão envolvidos no contrabando Coltan fora do Congo, para revenda na Bélgica.
Um relatório ao Conselho de Segurança das Nações Unidas apelou a uma moratória sobre a aquisição e importação de recursos provenientes da República Democrática do Congo, devido à guerra civil que se arrasta nos países vizinhos.
Devido aos danos causados à população do gorila e do seu habitat natural, as empresas que usam coltan estão começando a exigir que seus Coltan só vem a partir de fontes legitimamente minado e não é um subproduto da guerra. American-based Kemet, a maior fabricante do mundo de capacitores de tântalo, pediu a seus fornecedores que certifiquem que o seu minério de coltan não vem de Dem. Rep. Dem. do Congo ou de países vizinhos. Tais movimentos poderiam levar a um "gorila" Segurança celulares a ser comercializados, tanto da mesma forma que a carne do atum agora é vendido como "Dolphin Safe".
O Coltan também é muito lembrado no no seriado terminator the sarah connor chronicles(Exterminador do Futuro as Crônicas de Sara Connor)como o material essencial para criação dos robôs.
EMPRESAS QUE ENRIQUECEM ÀS CUSTAS DA MORTE:
Nokia, Motorola, Compaq, Sony e a outros fabricantes que os usam em telefones celulares e outros aparelhos de tecnologia « de ponta » - como os BLACKBERRIES
Fontes:
http://www.cellular-news.com/coltan/
http://www.friendsofthecongo.org/new/coltan.php
http://www.salteadoresdaarca.com/2009/07/africa-silenciar-e-roubar-os-seus-povos
http://resistir.info/galeano/guerras_mentem.html
]http://pt.wikipedia.org/wiki/Coltan
http://www.combonianosbne.org/node/464
http://www.feadulta.com/iglesia-intereses-guerra-congo.htm
Fotos do Documentário - Coltan, comiercio sangriento
de Patrick Forestier Imagens de Paul Comiti
Marcadores:
assassinatos,
celulat,
coltan,
congo,
crianças,
crime,
desmatamento,
escavação,
exploração,
grandesempresas,
morte,
tecnologia,
trabalhoinfantil
Tráfico de Órgãos - arquivo
href="http://www.giorgiorenanporjustica.org/Paulinho.htm">
Toda vez que leio a história do Paulinho, não consigo acreditar que um ser humano possa ter a coragem de cometer um ato tão vil com uma criança de apenas 10 anos e ainda partindo de médicos que por vocação e juramento deveriam defender a vida. Mas os médicos que mataram o Paulinho cometeram este ato por dinheiro!
Pessoas e/ou autoridades responsáveis pelos fatos denunciados. Abaixo as autoridades que receberam estas denúncias e optaram pela omissão, conivência, desprezo e completo descaso.
Todos tinham poderes para que os crimes não fossem repetidos, mas nada fizeram.
PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA - MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO
Procurador Geral da Repúbica:
Geraldo Brindeiro
Sub-Procurador Geral da República:
José Roberto Figueiredo Santoro
Procuradora Fed. Dir. Cidadão:
Maria Eliane Menezes de Farias
Procuradora Fed. Dir. Cidadão-Adjunta:
Raquel Elias Ferreira Dodge
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE MINAS GERAIS
Procurador Federal da República:
José Jairo Gomes
Procurador Federal da República: Adailton Ramos do Nascimento
Procurador Federal da República: Eduardo Morato Fonseca
Procurador Federal da República: Giovanni Morato Fonseca
Procurador Federal da República: Juliano Stella Karam
Procuradora Federal da República: Zani Cajueiro Tobias de Souza
Procurador Federal da República: Felipe Peixoto Braga Netto
Procurador Federal da República: José Adércio Leite Sampaio
Procurador Federal da República: Raimundo Candido Junior
Procuradora Federal da República: Laene Pevidor Lanca
Procuradora Federal da República: Isabela de Holanda Cavalcanti
Procuradora Federal da República: Cibele Benevides G. da Fonseca
MINISTÉRIO PÚBLICO REGIONAL DE SÃO PAULO
Procuradora Regional Federal:
Elizabeth Kablukow Bonora Peinado
Procuradora Regional Federal:
Ana Lúcia Amaral
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE SÃO PAULO
Procurador Federal da República:
Dênis Pigozzi Alabarse
Procurador Federal da República:
Luiz Fernando Gaspar Costa
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE SÃO BERNARDO DO CAMPO
Procurador Federal da República: Márcio Schusterschitz da Silva Araújo
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE SANTO ANDRÉ
Procuradora Federal da República: Ryanna Pala Veras
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MINAS GERAIS
Promotor: Renato Maia
Promotor: Sidney Boccia
Promotor: Fabrício José da Fonseca Pinto
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
Ministro da Justiça: Márcio Thomaz Bastos
Chefe do Gabinete do Min. da Justiça: Sérgio Sérvulo da Cunha
POLÍCIA FEDERAL DE VARGINHA
Delegado de Polícia Federal: Sebastião Pujol
Delegado de Polícia Federal: Célio Jacinto dos Santos
Delegado de Polícia Federal: Gilmar Dias
POLÍCIA CIVIL DE POÇOS DE CALDAS
Delegado de Polícia: Juarez Vinhas
Delegado de Polícia: Lacy de Souza Moraes
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Ministro da Saúde: José Serra
Ministro da Saúde: Humberto Costa
Assessor Especial do Ministro: Benedito Nicotero
Assessor Especial do Ministro: Manuelito Magalhães Júnior
Secretário de Assistência à Saúde: Renilson Rehem de Souza
Secretário de Assistência à Saúde: José Gomes Temporão
Coordenador Nacional de Transplantes: Rosana Nothen
Coordenador Nacional de Transplantes: Alberto Beltrame
Coordenador Nacional de Transplantes: Diogo Mendes
GOVERNOS ESTADUAIS
Governador de Minas Gerais: Itamar Franco
Governador de Minas Gerais: Aécio Neves
Governador de São Paulo: Geraldo Alckmin
PREFEITURAS MUNICIPAIS
Prefeito de Poços de Caldas: Geraldo Thadeu Pedreira dos Santos
Prefeito de Poços de Caldas: Paulo Tadeu D'arcadia
SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE
Secretário de Saúde de Minas Gerais: Carlos Patrício Freitas Pereira
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE
Secretário de Saúde Municipal: José Júlio Balducci
Secretário de Saúde Municipal: Azer Zenun Junqueira
Auditora Municipal da Saúde: Bernardete Balducci Scafi
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS - ABTO
Presidente:
Henry H. Campos
Vice-Presidente:
José Osmar Medina Pestana
1o. Secretário:
Flávio Jota de Paula
2o. Secretário:
João Batista Teixeira Pinto
1o. Tesoureiro:
Eduardo Carone Filho
2o. Tesoureiro:
Walter Antônio Pereira
Presidente (Conselho Consultivo):
Elias David Neto
Secretário (Conselho Consultivo):
Valter Duro Garcia
(Conselho Consultivo):
Luiz Estevam Ianhez
(Conselho Consultivo):
José Roberto Feresin Moraes
(Conselho Consultivo):
Noedir Antônio Groppo
(Conselho Consultivo):
Sérgio Mies
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA
Presidente:
Edson de Oliveira Andrade
Membro do Conselho Federal de Medicina:
Clovis Francisco Constantino
Membro do Conselho Federal de Medicina: Edevard José de Araújo
Membro do Conselho Federal de Medicina: Solimar Pinheiro da Silva
CENTRAL ESTADUAL DE TRANSPLANTES - MG TRANSPLANTES
Coordenador: João Carlos Oliveira Araújo
Coordenadora Regional: Aparecida Maria de Paula
CENTRAL REGIONAL DE TRANSPLANTES - MG SUL TRANSPLANTES
Mentor: Carlos Eduardo Venturelli Mosconi
Coordenador: Álvaro Ianhez
ASSOCIAÇÃO DOS RENAIS CRÔNICOS DE POÇOS DE CALDAS
Mentor: Carlos Eduardo Venturelli Mosconi
Mentor: Álvaro Ianhez
Presidente: Lourival da Silva Batista
INSTITUTO PENIDO BURNIER
Presidente: Dr. Hilton de Mello e Oliveira
Vice-Presidente: Dr. Nilson de Mello e Oliveira
1o. Tesoureiro: Dr. Leôncio Souza Queiroz Neto
2o. Tesoureiro: Dr. Eduardo Ren Nakashima
Secretário: Dr. Alberto Gallo Neto
HOSPITAL PEDRO SANCHES
Diretor Clínico: Lucas Neto Barbosa
Diretor Administrativo: Homero de Abreu Junqueira
HOSPITAL DA SANTA CASA
Provedor: Martinho do Prado Luz
Diretora Clínica: Regina Maria Ciofi Batagini
EQUIPE DE TRANSPLANTES
Médico Nefrologista: Álvaro Ianhez
Médico Urologista: Celso Roberto Frasson Scafi
Médico Urologista: Claúdio Rogério Carneiro Fernandes
Médico Urologista: Sérgio Visoni Vargas
Médico Urologista: Saulo Zenun
Médico Urologista: João Alberto Góes Brandão
Médica Nefrologista: Mirtes Maria Rodrigues Bertozzi
Médico Urologista: Eduardo Silva
EQUIPE MÉDICA QUE PARTICIPOU EFETIVAMENTE DO ASSASSINATO
Médico Nefrologista:
Álvaro Ianhez
Médico Urologista:
Celso Roberto Frasson Scafi
Médico Urologista:
Claúdio Rogério Carneiro Fernandes
Médico Anestesista:
Sérgio Poli Gaspar
Médico Neurologista:
José Luis Gomes da Silva
Médico Intensivista:
José Luis Bonfitto
Médico Radiologista:
Jeferson André Saheki Skulski
Médica Proctologista:
Nair Theodora Smith Chuva
Médico Cirurgião Vascular:
Claudi Roberto Ferraz
Médico Oftalmologista:
Odilon Trefiglio Neto
EQUIPE MÉDICA QUE UTILIZOU AS CÓRNEAS ILEGALMENTE
Médico Oftalmologista:
Gustavo Barbosa Abreu
Médica Oftalmologista:
Sandra Flávia Almeida Fiorentini
Médico Oftalmologista:
Odilon Trefiglio Neto
Obs.: Os dados e informações contidas nesta página se encontram totalmente documentados na CPI do Tráfico de órgãos, na documentação do Caso Paulinho e na Denuncia feita a OEA, eu sugiro aos Drs e Dras da medicina que antes de participarem de um ato cirúrgico grave como retirada de órgãos, examinem a procedência dos mesmos, para depois não ter seus nomes envolvidos em um crime como foi o Caso Paulinho! Um médico acima de tudo deve ter ética e respeitar a vida.
Fonte: e-mail
Toda vez que leio a história do Paulinho, não consigo acreditar que um ser humano possa ter a coragem de cometer um ato tão vil com uma criança de apenas 10 anos e ainda partindo de médicos que por vocação e juramento deveriam defender a vida. Mas os médicos que mataram o Paulinho cometeram este ato por dinheiro!
Pessoas e/ou autoridades responsáveis pelos fatos denunciados. Abaixo as autoridades que receberam estas denúncias e optaram pela omissão, conivência, desprezo e completo descaso.
Todos tinham poderes para que os crimes não fossem repetidos, mas nada fizeram.
PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA - MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO
Procurador Geral da Repúbica:
Geraldo Brindeiro
Sub-Procurador Geral da República:
José Roberto Figueiredo Santoro
Procuradora Fed. Dir. Cidadão:
Maria Eliane Menezes de Farias
Procuradora Fed. Dir. Cidadão-Adjunta:
Raquel Elias Ferreira Dodge
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE MINAS GERAIS
Procurador Federal da República:
José Jairo Gomes
Procurador Federal da República: Adailton Ramos do Nascimento
Procurador Federal da República: Eduardo Morato Fonseca
Procurador Federal da República: Giovanni Morato Fonseca
Procurador Federal da República: Juliano Stella Karam
Procuradora Federal da República: Zani Cajueiro Tobias de Souza
Procurador Federal da República: Felipe Peixoto Braga Netto
Procurador Federal da República: José Adércio Leite Sampaio
Procurador Federal da República: Raimundo Candido Junior
Procuradora Federal da República: Laene Pevidor Lanca
Procuradora Federal da República: Isabela de Holanda Cavalcanti
Procuradora Federal da República: Cibele Benevides G. da Fonseca
MINISTÉRIO PÚBLICO REGIONAL DE SÃO PAULO
Procuradora Regional Federal:
Elizabeth Kablukow Bonora Peinado
Procuradora Regional Federal:
Ana Lúcia Amaral
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE SÃO PAULO
Procurador Federal da República:
Dênis Pigozzi Alabarse
Procurador Federal da República:
Luiz Fernando Gaspar Costa
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE SÃO BERNARDO DO CAMPO
Procurador Federal da República: Márcio Schusterschitz da Silva Araújo
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE SANTO ANDRÉ
Procuradora Federal da República: Ryanna Pala Veras
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MINAS GERAIS
Promotor: Renato Maia
Promotor: Sidney Boccia
Promotor: Fabrício José da Fonseca Pinto
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
Ministro da Justiça: Márcio Thomaz Bastos
Chefe do Gabinete do Min. da Justiça: Sérgio Sérvulo da Cunha
POLÍCIA FEDERAL DE VARGINHA
Delegado de Polícia Federal: Sebastião Pujol
Delegado de Polícia Federal: Célio Jacinto dos Santos
Delegado de Polícia Federal: Gilmar Dias
POLÍCIA CIVIL DE POÇOS DE CALDAS
Delegado de Polícia: Juarez Vinhas
Delegado de Polícia: Lacy de Souza Moraes
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Ministro da Saúde: José Serra
Ministro da Saúde: Humberto Costa
Assessor Especial do Ministro: Benedito Nicotero
Assessor Especial do Ministro: Manuelito Magalhães Júnior
Secretário de Assistência à Saúde: Renilson Rehem de Souza
Secretário de Assistência à Saúde: José Gomes Temporão
Coordenador Nacional de Transplantes: Rosana Nothen
Coordenador Nacional de Transplantes: Alberto Beltrame
Coordenador Nacional de Transplantes: Diogo Mendes
GOVERNOS ESTADUAIS
Governador de Minas Gerais: Itamar Franco
Governador de Minas Gerais: Aécio Neves
Governador de São Paulo: Geraldo Alckmin
PREFEITURAS MUNICIPAIS
Prefeito de Poços de Caldas: Geraldo Thadeu Pedreira dos Santos
Prefeito de Poços de Caldas: Paulo Tadeu D'arcadia
SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE
Secretário de Saúde de Minas Gerais: Carlos Patrício Freitas Pereira
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE
Secretário de Saúde Municipal: José Júlio Balducci
Secretário de Saúde Municipal: Azer Zenun Junqueira
Auditora Municipal da Saúde: Bernardete Balducci Scafi
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS - ABTO
Presidente:
Henry H. Campos
Vice-Presidente:
José Osmar Medina Pestana
1o. Secretário:
Flávio Jota de Paula
2o. Secretário:
João Batista Teixeira Pinto
1o. Tesoureiro:
Eduardo Carone Filho
2o. Tesoureiro:
Walter Antônio Pereira
Presidente (Conselho Consultivo):
Elias David Neto
Secretário (Conselho Consultivo):
Valter Duro Garcia
(Conselho Consultivo):
Luiz Estevam Ianhez
(Conselho Consultivo):
José Roberto Feresin Moraes
(Conselho Consultivo):
Noedir Antônio Groppo
(Conselho Consultivo):
Sérgio Mies
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA
Presidente:
Edson de Oliveira Andrade
Membro do Conselho Federal de Medicina:
Clovis Francisco Constantino
Membro do Conselho Federal de Medicina: Edevard José de Araújo
Membro do Conselho Federal de Medicina: Solimar Pinheiro da Silva
CENTRAL ESTADUAL DE TRANSPLANTES - MG TRANSPLANTES
Coordenador: João Carlos Oliveira Araújo
Coordenadora Regional: Aparecida Maria de Paula
CENTRAL REGIONAL DE TRANSPLANTES - MG SUL TRANSPLANTES
Mentor: Carlos Eduardo Venturelli Mosconi
Coordenador: Álvaro Ianhez
ASSOCIAÇÃO DOS RENAIS CRÔNICOS DE POÇOS DE CALDAS
Mentor: Carlos Eduardo Venturelli Mosconi
Mentor: Álvaro Ianhez
Presidente: Lourival da Silva Batista
INSTITUTO PENIDO BURNIER
Presidente: Dr. Hilton de Mello e Oliveira
Vice-Presidente: Dr. Nilson de Mello e Oliveira
1o. Tesoureiro: Dr. Leôncio Souza Queiroz Neto
2o. Tesoureiro: Dr. Eduardo Ren Nakashima
Secretário: Dr. Alberto Gallo Neto
HOSPITAL PEDRO SANCHES
Diretor Clínico: Lucas Neto Barbosa
Diretor Administrativo: Homero de Abreu Junqueira
HOSPITAL DA SANTA CASA
Provedor: Martinho do Prado Luz
Diretora Clínica: Regina Maria Ciofi Batagini
EQUIPE DE TRANSPLANTES
Médico Nefrologista: Álvaro Ianhez
Médico Urologista: Celso Roberto Frasson Scafi
Médico Urologista: Claúdio Rogério Carneiro Fernandes
Médico Urologista: Sérgio Visoni Vargas
Médico Urologista: Saulo Zenun
Médico Urologista: João Alberto Góes Brandão
Médica Nefrologista: Mirtes Maria Rodrigues Bertozzi
Médico Urologista: Eduardo Silva
EQUIPE MÉDICA QUE PARTICIPOU EFETIVAMENTE DO ASSASSINATO
Médico Nefrologista:
Álvaro Ianhez
Médico Urologista:
Celso Roberto Frasson Scafi
Médico Urologista:
Claúdio Rogério Carneiro Fernandes
Médico Anestesista:
Sérgio Poli Gaspar
Médico Neurologista:
José Luis Gomes da Silva
Médico Intensivista:
José Luis Bonfitto
Médico Radiologista:
Jeferson André Saheki Skulski
Médica Proctologista:
Nair Theodora Smith Chuva
Médico Cirurgião Vascular:
Claudi Roberto Ferraz
Médico Oftalmologista:
Odilon Trefiglio Neto
EQUIPE MÉDICA QUE UTILIZOU AS CÓRNEAS ILEGALMENTE
Médico Oftalmologista:
Gustavo Barbosa Abreu
Médica Oftalmologista:
Sandra Flávia Almeida Fiorentini
Médico Oftalmologista:
Odilon Trefiglio Neto
Obs.: Os dados e informações contidas nesta página se encontram totalmente documentados na CPI do Tráfico de órgãos, na documentação do Caso Paulinho e na Denuncia feita a OEA, eu sugiro aos Drs e Dras da medicina que antes de participarem de um ato cirúrgico grave como retirada de órgãos, examinem a procedência dos mesmos, para depois não ter seus nomes envolvidos em um crime como foi o Caso Paulinho! Um médico acima de tudo deve ter ética e respeitar a vida.
Fonte: e-mail
Marcadores:
assassinato,
Brasil,
coninvencia,
tráfico-de-orgãos
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Inscrição
Gabriela Gambi
Diretoria de Livro, Leitura e Literatura
Ministério da Cultura
SBS, Qd 02, L 11, Ed. Elcy Meireles,
2º subsolo - 70.070-120 - Brasília - DF
(61) 2024-2630
www.cultura.gov.br/maiscultura
www.pnll.gov.br
http://blogs.cultura.gov.br/bibliotecaviva
Diretoria de Livro, Leitura e Literatura
Ministério da Cultura
SBS, Qd 02, L 11, Ed. Elcy Meireles,
2º subsolo - 70.070-120 - Brasília - DF
(61) 2024-2630
www.cultura.gov.br/maiscultura
www.pnll.gov.br
http://blogs.cultura.gov.br/bibliotecaviva
O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL DA BAHIA
Ministros e Ministras de Xangô reuniram-se no reino de Thémis e decidiram que irão, juntos, lutar pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e Intolerância Religiosa do Estado da Bahia. Existe uma esperança de que o Governador expresse uma palavra bondosa sobre sua existência. Enquanto isso, o Presidente Lula, o Deus imponente do Olimpo, que a todos une na Bahia, vem aqui anunciar o Estatuto Nacional da Igualdade para a sociedade baiana no afã de dizer ao mundo o que faz o Governo Federal sobre as desigualdades raciais no Brasil.
O Estatuto, que tem como autor o ex-Deputado Estadual e atual Secretário de Desenvolvimento Social da Bahia Valmir Assunção, foi produzido intelectualmente pelo Professor e Advogado Samuel Vida, conta hoje com o empenho do Deputado Bira Coroa, presidente da Comissão Especial da Promoção da igualdade, assessorado pelo Professor Antônio Cosme, está prestes a ser colocado em votação no plenário da Assembléia Legislativa da Bahia. Seria mais bonito se pudéssemos servir de exemplo para o Presidente e a todo país, mas o andar da carruagem...
O Estatuto da Bahia é um enigma. A maioria nem o menciona, ou discute, não concorda, nem discorda, muito pelo contrário. O paradoxo de um Estado hegemonizado pela forte presença da civilização africana e seus descendentes, mas que encontra uma dificuldade em pautar de forma aberta e franca um debate que pode servir como um modelo de desenvolvimento para o país.
O Estatuto, caso aprovado, influirá na agenda de desenvolvimento do Estado, através dos pólos de desenvolvimento regionais, encontradiço no recorte de territórios de identidade e impulsionado pelo governo Wagner. O PAC baiano (Programa de Aceleração do Crescimento) atrelado a uma aprovação legislativa de conteúdo equitativo surtirá um efeito abrangente sobre as leituras das desigualdades baiana. Esta ação política poderá soerguer a Bahia como fonte de riquezas civilizatórias multiculturais, caudatárias de trocas simbólicas e materiais que sirvam de exemplo ao restante do país.
Defendo a tese de que o Estado da Bahia ganhará com a aprovação do Estatuto da Bahia. Terá realizado na velha tradição social democrata dos Mangabeiras, renovado com o discurso republicanizado da nova esquerda, uma lição de história no velho autonomismo baiano e que fará no estilo comunitarista americano o projeto das nações junto com o estadista do mundo: nosso presidente. Contudo, aqui, tudo parece muito reticente e o movimento negro conta com oposição esquizofrênica de muitos intelectuais que já ganharam muito dinheiro com a baianidade nagô e não gostam desse negócio de protagonismo de negros e de religião africana.
Os vultosos recursos do deleite harmonioso de camarotes multi-étnicos e diálogos inter-religiosos em que se joga sal e enxofre nos candomblés da Bahia e bentifica a todos, podem estar em risco. Aprovar um Estatuto desta natureza na Bahia pode significar perder o tema do “turismo étnico” que sobrevoa as agências de viagens e do “carnaval da alegria”, mas pode também significar riqueza e democracia para maioria da população baiana. Sim, se o Brasil pode, nós também podemos.
Sérgio São Bernardo - IPR
Advogado, Mestre em direito, Professor da Uneb
O Estatuto, que tem como autor o ex-Deputado Estadual e atual Secretário de Desenvolvimento Social da Bahia Valmir Assunção, foi produzido intelectualmente pelo Professor e Advogado Samuel Vida, conta hoje com o empenho do Deputado Bira Coroa, presidente da Comissão Especial da Promoção da igualdade, assessorado pelo Professor Antônio Cosme, está prestes a ser colocado em votação no plenário da Assembléia Legislativa da Bahia. Seria mais bonito se pudéssemos servir de exemplo para o Presidente e a todo país, mas o andar da carruagem...
O Estatuto da Bahia é um enigma. A maioria nem o menciona, ou discute, não concorda, nem discorda, muito pelo contrário. O paradoxo de um Estado hegemonizado pela forte presença da civilização africana e seus descendentes, mas que encontra uma dificuldade em pautar de forma aberta e franca um debate que pode servir como um modelo de desenvolvimento para o país.
O Estatuto, caso aprovado, influirá na agenda de desenvolvimento do Estado, através dos pólos de desenvolvimento regionais, encontradiço no recorte de territórios de identidade e impulsionado pelo governo Wagner. O PAC baiano (Programa de Aceleração do Crescimento) atrelado a uma aprovação legislativa de conteúdo equitativo surtirá um efeito abrangente sobre as leituras das desigualdades baiana. Esta ação política poderá soerguer a Bahia como fonte de riquezas civilizatórias multiculturais, caudatárias de trocas simbólicas e materiais que sirvam de exemplo ao restante do país.
Defendo a tese de que o Estado da Bahia ganhará com a aprovação do Estatuto da Bahia. Terá realizado na velha tradição social democrata dos Mangabeiras, renovado com o discurso republicanizado da nova esquerda, uma lição de história no velho autonomismo baiano e que fará no estilo comunitarista americano o projeto das nações junto com o estadista do mundo: nosso presidente. Contudo, aqui, tudo parece muito reticente e o movimento negro conta com oposição esquizofrênica de muitos intelectuais que já ganharam muito dinheiro com a baianidade nagô e não gostam desse negócio de protagonismo de negros e de religião africana.
Os vultosos recursos do deleite harmonioso de camarotes multi-étnicos e diálogos inter-religiosos em que se joga sal e enxofre nos candomblés da Bahia e bentifica a todos, podem estar em risco. Aprovar um Estatuto desta natureza na Bahia pode significar perder o tema do “turismo étnico” que sobrevoa as agências de viagens e do “carnaval da alegria”, mas pode também significar riqueza e democracia para maioria da população baiana. Sim, se o Brasil pode, nós também podemos.
Sérgio São Bernardo - IPR
Advogado, Mestre em direito, Professor da Uneb
Marcadores:
estatuto.racial,
etnia,
negros,
preconceito,
racismo
Máquina mortífera
Hanry Silva voltava da casa de uma colega, numa favela chamada Boca do Mato, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O nome tem sua razão de ser. O lugar dá para uma montanha, no bairro Lins de Vasconcelos, onde a vegetação nativa ainda é preservada. Em vez de retornar pela rua, ele decidiu fazer o trajeto mais curto: pelo alto do morro. Assim, caminhando próximo aos postes de energia do topo da montanha, Hanry cruzou pouco mais que 1 Km. A vista abrevia ainda mais a viagem: com tempo bom é possível ter uma visão panorâmica da cidade, emoldurada pela Ponte Rio-Niterói e pela Baía de Guanabara. Eram cinco da tarde quando se aproximava de sua casa, no Morro do Gambá – também conhecido como Nossa Senhora da Guia.
O estudante já estava bem perto, nem 100m faltavam. Ao chegar, tomar banho, trocar de roupa e seguir para o colégio. Estava de bermuda preta e sem camisa. Vinha balançando a chave de casa, despreocupado, fazendo um caminho ao qual já se habituara. No entanto, aquele 21 de novembro de 2002 seria diferente. Hanry foi surpreendido por policiais do 3º Batalhão de Polícia Militar e arrastado uns 20m abaixo. Foi posicionado entre uma pedra de 2m x 1,5m e um arbusto com folhagem densa e suficientemente grande para encobrir o resto de visão que alguém poderia ter do lugar. A casa mais próxima dali fica a uns dez minutos de caminhada, em mata semifechada.
Por volta de 17h40, um estampido ecoou no Morro do Gambá. Aos dezesseis anos de idade, Hanry foi assassinado com um tiro certeiro no coração. Tinha 1,65m, era mulato, corpo seco. Cursava o primeiro ano do ensino médio – nunca repetiu – e sonhava ser jogador de futebol, como tantos outros garotos.
No dia seguinte sua mãe acordou preocupada. O filho não havia dormido em casa. Márcia Jacintho percorreu a favela toda atrás de notícias, quando teve a ideia de ir ao hospital mais próximo. No Salgado Filho ficou momentaneamente aliviada: apenas dois jovens haviam sido encaminhados pela polícia na noite anterior, ambos descritos como traficantes que já chegaram mortos. Márcia continuava a busca quando alguém ligou do IML: “Vem pra cá porque acho que mataram seu filho”.
Chegando lá, Márcia começou a morrer em vida. A dor é tanta que hoje, quase sete anos depois, ela ainda chora quando recorda a cena: “Meu filho não teve velório. Tava inchado, um cheiro muito forte, muito escuro, ninguém o reconheceu”. Márcia começou a morrer por um lado, mas de outro nasceu uma guerreira que iria lutar com unhas e dentes para fazer justiça. Suas razões de viver passaram a ser basicamente essas: provar que seu filho não era traficante, como acusara a polícia, e responsabilizar os assassinos.
Inicialmente, Márcia fez o trabalho de investigação sozinha, pois a autoridade competente alegava não dispor dos recursos necessários. Então ela voltou ao local do crime, fez a primeira reconstituição com as próprias sandálias, fotografou, encontrou testemunhas. Até o boletim ambulatorial do hospital ela foi pegar, já que a Delegacia de Polícia não se mexia.
Essa história ela me conta enquanto vasculhamos os arredores de onde Hanry foi assassinado. Do pé ao topo, demoramos quase uma hora de subida bastante puxada. O Morro do Gambá tem centenas, talvez milhares de casas, de todos os tipos: alvenaria, madeira, compensado ou tudo misturado. Aqui, a maior parte da população é negra. E pobre. Serviços públicos como coleta de lixo demoram a chegar, deixando o chão imundo, sobretudo nas partes mais altas. Ao lado da pequena quadra de futebol, de terra batida, há um barranco imenso, uns cem metros quadrados de sacos plásticos, restos de comida e sujeira de todo tipo.
Conforme subimos, percebo que o adensamento populacional vai se reduzindo, até que cruzamos a última casa – um compensado de madeira de uns 20m quadrados, no máximo, de onde saem seis pessoas. Uma mulher idosa, uma criança bem pequena e os demais, adolescentes. Márcia arrisca o caminho da esquerda, mas o mato está muito fechado. “Tem certeza que é aí?”, pergunto. “É sim, é que não venho aqui faz tempo”. Continuo seguindo, meu receio em franco contraste com o seu destemor. Até que um dos adolescentes da última casa, um negro bem preto, se aproxima e fala: “Tia, não é por aí, não. É pelo outro lado”. E nos mostra o caminho.
Passaram-se dois anos e nove meses até que a perícia oficial agisse. A partir daí, apareceram várias contradições na versão dos policiais, que alegaram, por exemplo, troca de tiro com bandidos que estariam em cima de uma pedra, levando a crer que o disparo teria vindo de baixo para cima (e não o contrário, como foi comprovado pelo laudo cadavérico). O horário alegado pelos policiais também não batia. Como poderia haver uma troca de tiros às 19h40 no alto do morro se a entrada do garoto no hospital teria sido às 20h08? Seria como enfrentar seis ou sete bandidos fortemente armados, como argumentaram os policiais, recolher o corpo baleado, descer o morro inteiro carregando o fardo, colocá-lo na viatura e deixá-lo no hospital, que fica a vinte minutos dali. Nem o The Flash.
Seis anos depois, Márcia conseguiu levar a julgamento dois dos onze policiais militares que havia acusado. Marcos Alves da Silva foi condenado a nove anos de prisão por homicídio doloso e fraude processual (simulou apreensão de arma e droga com Hanry) e Paulo Roberto Paschuini a três anos pelo último crime. Os dois vão recorrer,
sendo que o segundo em liberdade.
O caso de Hanry foi um dos 9.179 óbitos registrados como “autos de resistência” – quando a polícia mata um opositor em legítima defesa – entre 2000 e 2009 (até maio), de acordo com o Instituto de Segurança Pública, órgão vinculado ao Executivo Estadual. Uma média de 2,67 mortes por dia. É como se em dez anos toda a população do bairro da Glória sumisse do mapa. Por outro lado, foram registrados 59.949 homicídios dolosos, no mesmo período; crimes que o Estado não foi capaz de evitar.
O número de “autos de resistência” dá à polícia do Rio o título de campeã de letalidade. Entre todas as outras corporações similares no mundo, é a que mais mata – e também a que mais morre (dado que, por si só, evidencia uma política de segurança equivocada). Até o relator da ONU para execuções sumárias e extrajudiciais, Philip Alston, declarou, após recente visita ao Rio de Janeiro: “no Brasil os policiais matam tanto em serviço como fora de serviço e nenhuma investigação é feita já que todos os índices se justificam a partir de ‘autos de resistência’ ou ‘mortes em confronto’”.
A origem da ferramenta jurídica “auto de resistência” está na Ordem de Serviço “N”, nº 803, de 2/10/1969, da Superintendência da Polícia Judiciária, do antigo estado da Guanabara. O dispositivo afirma que “em caso de resistência, [os policiais] poderão usar dos meios necessários para defender-se e/ou vencê-la” e dispensa a lavratura do auto de prisão em flagrante ou a instauração de inquérito policial nesses casos.
Registre-se: não são raras as situações em que os policiais necessitam usar a força como resposta a ações hostis de traficantes varejistas. É como explica o delegado Marcus Nunes, coordenador da CORE, unidade de elite da Polícia Civil: “Somos muitas vezes recebidos a tiros. Geralmente o policial entra numa comunidade em tese hostil porque é controlada por um grupo fortemente armado, querendo fazer de tudo pra não ser preso, usando todos os esforços necessários, às vezes com equipamentos de primeira geração, munição em fartura, granadas”. No entanto, como reconhece o delegado, essa situação de extrema pressão sobre o policial, aliada a outros fatores, pode levar a execuções registradas como autos de resistência.
“Me chamava a atenção a diferença no preenchimento dos ROs [Registros de Ocorrência]”, comenta a antropóloga Ana Paula Miranda, que foi diretora-presidente do Instituto de Segurança Pública. Por um lado, havia falta de cuidado nos registros em geral, mas aqueles referentes aos autos de resistência “vinham bem montados, com informações padronizadas e a falta de testemunhas que não fossem policiais”, diz a pesquisadora da Universidade Federal Fluminense. Ana Paula chama a atenção para a escalada da violência da polícia, que cada vez mata mais e prende menos (ver quadro na página 31).
A polícia do Rio de Janeiro atua com muito pouco controle, interno ou externo. A Corregedoria nem sempre atua com a isenção desejada, as armas utilizadas em operações dificilmente são identificadas e os policiais que se envolvem em troca de tiros não recebem atenção especial do governo – em outros Estados, como São Paulo, já existe uma política assistencial voltada para esses profissionais da segurança, como auxílio psicológico. No entanto, engana-se quem acredita que a polícia é a única responsável pelo atual estado de coisas. Quando se registra uma ocorrência como “auto de resistência”, o delegado tem trinta dias para investigar e, então, deve enviar suas conclusões para o Ministério Público Estadual.
O MP é o titular da Ação Penal e, diante do relatório, o promotor deve decidir se retorna o material para a delegacia solicitando novas apurações, se oferece denúncia contra o policial ou se encaminha o processo com pedido de arquivamento para o juiz. Neste caso, se o magistrado concordar, o processo é arquivado. Se discordar, a decisão final passa à Procuradoria Geral de Justiça, cujo titular é indicado pelo governador do Estado.
Para esclarecer os dados, procurei o Ministério Público. Fiz o primeiro contato no dia 17 de agosto. Na assessoria de imprensa, fui atendido por Paolla Serra, depois por Lívia Monteiro. Não me deram retorno. No dia 14 de setembro, voltei a insistir. Dessa vez falei com Leonardo, que também não me respondeu. Alguns dias antes eu havia ido ao Tribunal de Justiça, onde conversei com três defensores públicos. Eles disseram que recebem pouquíssimos inquéritos em casos de autos de resistência, às vezes nem um por mês, o que indica poucas denúncias do MP contra policiais.
O pioneiro a analisar os pareceres do Ministério Público sobre os autos de resistência foi o desembargador Sérgio Verani, no livro “Assassinatos em nome da lei” (entrevista à página 31). Na apresentação da obra, o jurista Evandro Lins e Silva anota: “Examinando dezenas de inquéritos, alguns deles em que funcionou como juiz, Sérgio Verani pôde identificar uma uniformidade ideológica que conduziu ao arquivamento ou à absolvição, em todos eles, dos policiais acusados do assassinato de 42 pessoas”. Nesta cesta ideológica encontra-se o pedido de arquivamento, assinado por um promotor, que classifica a vítima da ação policial como “micróbio social”. O caso é de 1982, mas permanece atual. Vinte e dois anos depois, a 21a Promotoria de Investigação Penal de Bangu acusou os bandidos que teriam enfrentado a polícia de “verdadeiros soldados do mal”.
“No ano passado aquele comandante [coronel Marcos Jardim] de certa forma repetiu isso: ‘[a PM é o melhor] inseticida social’. Inseticida social!”, recorda Sérgio Verani: “Como também uma expressão usada quando foi preso o Elias [Maluco, acusado de matar o jornalista Tim Lopes]. E aí foram expedidos mandados de busca e apreensão e
o juiz escreveu na decisão dele que o Grupo do Elias era um ‘lixo genético’. O juiz escreveu isso: ‘lixo genético’! Que é a mesma coisa de ‘micróbio social’, ‘inseticida’. O desprezo com a vida. Uns podem viver, mas esses desclassificados não”.
“Quem mata é a Polícia, mas quem enterra é o Judiciário”
Outro indicativo de descaso do Poder Judiciário é que em muitas sentenças o magistrado abre mão do despacho fundamentado e passa a usar uma mera etiqueta adesiva, tipo essas da marca Pimaco, para determinar o encerramento do processo investigatório. Como consta da decisão assinada em 10 de janeiro de 2005, a respeito de três mortes causadas por policiais na favela do Rebu, em Senador Camará: “Na forma de promoção do MP de folhas retro, determino o arquivamento do presente feito. Dê-se baixa e arquive-se”.
Por essas razões, o delegado de Polícia Civil Orlando Zaccone, mestre em Ciências Penais, não tem dúvidas em afirmar: “Quem mata é a polícia, mas quem enterra é o Judiciário”. Profundo conhecedor da Criminologia Crítica, Zaccone alia a teoria à prática. Foi ele quem conduziu as investigações que solucionaram a Chacina do Borel, em 2003, em que os crimes foram inicialmente registrados como autos de resistência. É com essa autoridade que ele analisa: “O que vai definir o arquivamento dos autos ou o processo dos policiais pela morte da vítima é se a vítima está ou não definida como ‘inimigo’, traficante, gerando uma ‘legitimidade’ na ação da polícia”.
Marcelo Salles é jornalista e coordenador da Caros Amigos no Rio de Janeiro
http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&id=133&iditens=361
O estudante já estava bem perto, nem 100m faltavam. Ao chegar, tomar banho, trocar de roupa e seguir para o colégio. Estava de bermuda preta e sem camisa. Vinha balançando a chave de casa, despreocupado, fazendo um caminho ao qual já se habituara. No entanto, aquele 21 de novembro de 2002 seria diferente. Hanry foi surpreendido por policiais do 3º Batalhão de Polícia Militar e arrastado uns 20m abaixo. Foi posicionado entre uma pedra de 2m x 1,5m e um arbusto com folhagem densa e suficientemente grande para encobrir o resto de visão que alguém poderia ter do lugar. A casa mais próxima dali fica a uns dez minutos de caminhada, em mata semifechada.
Por volta de 17h40, um estampido ecoou no Morro do Gambá. Aos dezesseis anos de idade, Hanry foi assassinado com um tiro certeiro no coração. Tinha 1,65m, era mulato, corpo seco. Cursava o primeiro ano do ensino médio – nunca repetiu – e sonhava ser jogador de futebol, como tantos outros garotos.
No dia seguinte sua mãe acordou preocupada. O filho não havia dormido em casa. Márcia Jacintho percorreu a favela toda atrás de notícias, quando teve a ideia de ir ao hospital mais próximo. No Salgado Filho ficou momentaneamente aliviada: apenas dois jovens haviam sido encaminhados pela polícia na noite anterior, ambos descritos como traficantes que já chegaram mortos. Márcia continuava a busca quando alguém ligou do IML: “Vem pra cá porque acho que mataram seu filho”.
Chegando lá, Márcia começou a morrer em vida. A dor é tanta que hoje, quase sete anos depois, ela ainda chora quando recorda a cena: “Meu filho não teve velório. Tava inchado, um cheiro muito forte, muito escuro, ninguém o reconheceu”. Márcia começou a morrer por um lado, mas de outro nasceu uma guerreira que iria lutar com unhas e dentes para fazer justiça. Suas razões de viver passaram a ser basicamente essas: provar que seu filho não era traficante, como acusara a polícia, e responsabilizar os assassinos.
Inicialmente, Márcia fez o trabalho de investigação sozinha, pois a autoridade competente alegava não dispor dos recursos necessários. Então ela voltou ao local do crime, fez a primeira reconstituição com as próprias sandálias, fotografou, encontrou testemunhas. Até o boletim ambulatorial do hospital ela foi pegar, já que a Delegacia de Polícia não se mexia.
Essa história ela me conta enquanto vasculhamos os arredores de onde Hanry foi assassinado. Do pé ao topo, demoramos quase uma hora de subida bastante puxada. O Morro do Gambá tem centenas, talvez milhares de casas, de todos os tipos: alvenaria, madeira, compensado ou tudo misturado. Aqui, a maior parte da população é negra. E pobre. Serviços públicos como coleta de lixo demoram a chegar, deixando o chão imundo, sobretudo nas partes mais altas. Ao lado da pequena quadra de futebol, de terra batida, há um barranco imenso, uns cem metros quadrados de sacos plásticos, restos de comida e sujeira de todo tipo.
Conforme subimos, percebo que o adensamento populacional vai se reduzindo, até que cruzamos a última casa – um compensado de madeira de uns 20m quadrados, no máximo, de onde saem seis pessoas. Uma mulher idosa, uma criança bem pequena e os demais, adolescentes. Márcia arrisca o caminho da esquerda, mas o mato está muito fechado. “Tem certeza que é aí?”, pergunto. “É sim, é que não venho aqui faz tempo”. Continuo seguindo, meu receio em franco contraste com o seu destemor. Até que um dos adolescentes da última casa, um negro bem preto, se aproxima e fala: “Tia, não é por aí, não. É pelo outro lado”. E nos mostra o caminho.
Passaram-se dois anos e nove meses até que a perícia oficial agisse. A partir daí, apareceram várias contradições na versão dos policiais, que alegaram, por exemplo, troca de tiro com bandidos que estariam em cima de uma pedra, levando a crer que o disparo teria vindo de baixo para cima (e não o contrário, como foi comprovado pelo laudo cadavérico). O horário alegado pelos policiais também não batia. Como poderia haver uma troca de tiros às 19h40 no alto do morro se a entrada do garoto no hospital teria sido às 20h08? Seria como enfrentar seis ou sete bandidos fortemente armados, como argumentaram os policiais, recolher o corpo baleado, descer o morro inteiro carregando o fardo, colocá-lo na viatura e deixá-lo no hospital, que fica a vinte minutos dali. Nem o The Flash.
Seis anos depois, Márcia conseguiu levar a julgamento dois dos onze policiais militares que havia acusado. Marcos Alves da Silva foi condenado a nove anos de prisão por homicídio doloso e fraude processual (simulou apreensão de arma e droga com Hanry) e Paulo Roberto Paschuini a três anos pelo último crime. Os dois vão recorrer,
sendo que o segundo em liberdade.
O caso de Hanry foi um dos 9.179 óbitos registrados como “autos de resistência” – quando a polícia mata um opositor em legítima defesa – entre 2000 e 2009 (até maio), de acordo com o Instituto de Segurança Pública, órgão vinculado ao Executivo Estadual. Uma média de 2,67 mortes por dia. É como se em dez anos toda a população do bairro da Glória sumisse do mapa. Por outro lado, foram registrados 59.949 homicídios dolosos, no mesmo período; crimes que o Estado não foi capaz de evitar.
O número de “autos de resistência” dá à polícia do Rio o título de campeã de letalidade. Entre todas as outras corporações similares no mundo, é a que mais mata – e também a que mais morre (dado que, por si só, evidencia uma política de segurança equivocada). Até o relator da ONU para execuções sumárias e extrajudiciais, Philip Alston, declarou, após recente visita ao Rio de Janeiro: “no Brasil os policiais matam tanto em serviço como fora de serviço e nenhuma investigação é feita já que todos os índices se justificam a partir de ‘autos de resistência’ ou ‘mortes em confronto’”.
A origem da ferramenta jurídica “auto de resistência” está na Ordem de Serviço “N”, nº 803, de 2/10/1969, da Superintendência da Polícia Judiciária, do antigo estado da Guanabara. O dispositivo afirma que “em caso de resistência, [os policiais] poderão usar dos meios necessários para defender-se e/ou vencê-la” e dispensa a lavratura do auto de prisão em flagrante ou a instauração de inquérito policial nesses casos.
Registre-se: não são raras as situações em que os policiais necessitam usar a força como resposta a ações hostis de traficantes varejistas. É como explica o delegado Marcus Nunes, coordenador da CORE, unidade de elite da Polícia Civil: “Somos muitas vezes recebidos a tiros. Geralmente o policial entra numa comunidade em tese hostil porque é controlada por um grupo fortemente armado, querendo fazer de tudo pra não ser preso, usando todos os esforços necessários, às vezes com equipamentos de primeira geração, munição em fartura, granadas”. No entanto, como reconhece o delegado, essa situação de extrema pressão sobre o policial, aliada a outros fatores, pode levar a execuções registradas como autos de resistência.
“Me chamava a atenção a diferença no preenchimento dos ROs [Registros de Ocorrência]”, comenta a antropóloga Ana Paula Miranda, que foi diretora-presidente do Instituto de Segurança Pública. Por um lado, havia falta de cuidado nos registros em geral, mas aqueles referentes aos autos de resistência “vinham bem montados, com informações padronizadas e a falta de testemunhas que não fossem policiais”, diz a pesquisadora da Universidade Federal Fluminense. Ana Paula chama a atenção para a escalada da violência da polícia, que cada vez mata mais e prende menos (ver quadro na página 31).
A polícia do Rio de Janeiro atua com muito pouco controle, interno ou externo. A Corregedoria nem sempre atua com a isenção desejada, as armas utilizadas em operações dificilmente são identificadas e os policiais que se envolvem em troca de tiros não recebem atenção especial do governo – em outros Estados, como São Paulo, já existe uma política assistencial voltada para esses profissionais da segurança, como auxílio psicológico. No entanto, engana-se quem acredita que a polícia é a única responsável pelo atual estado de coisas. Quando se registra uma ocorrência como “auto de resistência”, o delegado tem trinta dias para investigar e, então, deve enviar suas conclusões para o Ministério Público Estadual.
O MP é o titular da Ação Penal e, diante do relatório, o promotor deve decidir se retorna o material para a delegacia solicitando novas apurações, se oferece denúncia contra o policial ou se encaminha o processo com pedido de arquivamento para o juiz. Neste caso, se o magistrado concordar, o processo é arquivado. Se discordar, a decisão final passa à Procuradoria Geral de Justiça, cujo titular é indicado pelo governador do Estado.
Para esclarecer os dados, procurei o Ministério Público. Fiz o primeiro contato no dia 17 de agosto. Na assessoria de imprensa, fui atendido por Paolla Serra, depois por Lívia Monteiro. Não me deram retorno. No dia 14 de setembro, voltei a insistir. Dessa vez falei com Leonardo, que também não me respondeu. Alguns dias antes eu havia ido ao Tribunal de Justiça, onde conversei com três defensores públicos. Eles disseram que recebem pouquíssimos inquéritos em casos de autos de resistência, às vezes nem um por mês, o que indica poucas denúncias do MP contra policiais.
O pioneiro a analisar os pareceres do Ministério Público sobre os autos de resistência foi o desembargador Sérgio Verani, no livro “Assassinatos em nome da lei” (entrevista à página 31). Na apresentação da obra, o jurista Evandro Lins e Silva anota: “Examinando dezenas de inquéritos, alguns deles em que funcionou como juiz, Sérgio Verani pôde identificar uma uniformidade ideológica que conduziu ao arquivamento ou à absolvição, em todos eles, dos policiais acusados do assassinato de 42 pessoas”. Nesta cesta ideológica encontra-se o pedido de arquivamento, assinado por um promotor, que classifica a vítima da ação policial como “micróbio social”. O caso é de 1982, mas permanece atual. Vinte e dois anos depois, a 21a Promotoria de Investigação Penal de Bangu acusou os bandidos que teriam enfrentado a polícia de “verdadeiros soldados do mal”.
“No ano passado aquele comandante [coronel Marcos Jardim] de certa forma repetiu isso: ‘[a PM é o melhor] inseticida social’. Inseticida social!”, recorda Sérgio Verani: “Como também uma expressão usada quando foi preso o Elias [Maluco, acusado de matar o jornalista Tim Lopes]. E aí foram expedidos mandados de busca e apreensão e
o juiz escreveu na decisão dele que o Grupo do Elias era um ‘lixo genético’. O juiz escreveu isso: ‘lixo genético’! Que é a mesma coisa de ‘micróbio social’, ‘inseticida’. O desprezo com a vida. Uns podem viver, mas esses desclassificados não”.
“Quem mata é a Polícia, mas quem enterra é o Judiciário”
Outro indicativo de descaso do Poder Judiciário é que em muitas sentenças o magistrado abre mão do despacho fundamentado e passa a usar uma mera etiqueta adesiva, tipo essas da marca Pimaco, para determinar o encerramento do processo investigatório. Como consta da decisão assinada em 10 de janeiro de 2005, a respeito de três mortes causadas por policiais na favela do Rebu, em Senador Camará: “Na forma de promoção do MP de folhas retro, determino o arquivamento do presente feito. Dê-se baixa e arquive-se”.
Por essas razões, o delegado de Polícia Civil Orlando Zaccone, mestre em Ciências Penais, não tem dúvidas em afirmar: “Quem mata é a polícia, mas quem enterra é o Judiciário”. Profundo conhecedor da Criminologia Crítica, Zaccone alia a teoria à prática. Foi ele quem conduziu as investigações que solucionaram a Chacina do Borel, em 2003, em que os crimes foram inicialmente registrados como autos de resistência. É com essa autoridade que ele analisa: “O que vai definir o arquivamento dos autos ou o processo dos policiais pela morte da vítima é se a vítima está ou não definida como ‘inimigo’, traficante, gerando uma ‘legitimidade’ na ação da polícia”.
Marcelo Salles é jornalista e coordenador da Caros Amigos no Rio de Janeiro
http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&id=133&iditens=361
Marcadores:
assassinato,
mata,
negros,
policia,
racismo
SÉRGIO MACACO: O HOMEM QUE FEZ A DIFERENÇA

Dia 12 de junho de 1968, o capitão para-quedista Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, convocado a uma reunião, foi recebido no gabinete do ministro da Aeronáutica pelos brigadeiros Hipólito da Costa e João Paulo Burnier, que viria a se tornar conhecido como torturador e assassino.
Sérgio era admirado por indianistas como os irmãos Vilas-Boas e o médico Noel Nutels. Foi amigo de caciques como Raoni, Kremure, Megaron, Krumari e Kretire. Os índios o chamavam "Nambiguá caraíba" (homem branco amigo). Aos 37 anos, Sérgio Macaco (como era conhecido na Aeronáutica) já tinha seis mil horas de vôo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral. Todavia o tipo de tarefa que lhe seria proposta ali pelos oficiais não era nem um pouco digna ou solidária.
- O senhor tem quatro medalhas por bravura, não tem? - indagou Burnier.
Sérgio respondeu afirmativamente. Então o brigadeiro continuou:
- Pois a quinta, quem vai colocar no seu peito sou eu. - Fez uma pausa. - Capitão, se o gasômetro da avenida Brasil explodir às seis horas da tarde, quantas pessoas morrem?
Achando que a pergunta se referia apenas à remota hipótese de um acidente na cidade do Rio de Janeiro, Sergio respondeu:
- Nessa hora de movimento, umas 100 mil pessoas.
Foi nesse momento que os dois brigadeiros começaram a explicar um terrível plano terrorista das Forças Armadas e qual deveria ser a participação de Sérgio. Os dois propuseram que ele, acompanhado por outros para-quedistas, colocasse bombas na porta da Sears, do Citibank, da embaixada americana, causando algumas mortes. Em seguida viria a grande carnificina: queriam que dinamitasse a Represa de Ribeirão das Lajes e, simultaneamente, explodisse o gasômetro. As cargas, de efeito retardado, seriam colocadas pelo capitão Sérgio, que depois ficaria aguardando, no Campo dos Af onsos, o surgimento duma grande claridade. Aí ele decolaria de helicóptero e aportaria no local da tragédia posando de bonzinho, prestando socorro a milhares de feridos e recolhendo mortos vítimados pela ação da própria Aeronáutica.
Colocariam a culpa nos grupos esquerdistas que lutavam contra a ditadura. Sérgio seria tido como herói por salvar as supostas vítimas dos "comunistas" e receberia sua quinta medalha, enquanto a ditadura teria um pretexto para aumentar a repressão a socialistas e democratas.
O capitão se negou a participar de uma ação tão vil. Declarou corajosamente aos bandidos fardados:
- O que torna uma missão legal e moral não é a presença de dois oficiais-generais à frente dela, o que a torna legal é a natureza da missão.
Outros em seu lugar simplesmente encolheriam os ombros e obedeceriam aos superiores, iriam se desculpar dizendo que estavam apenas "cumprindo ordens". Mas Sérgio era é tico, íntegro, não tinha obediência cega a ninguém, seguia acima de tudo sua consciência e valores. Era um homem de verdade: denunciou o plano diabólico e evitou aquela que seria a maior tragédia da nossa história.
Foi perseguido pela ditadura, discriminado, removido para o Recife, reformado na marra aos 37 anos, cassado pelo AI-5 e pelo Ato Complementar 19, curtiu prisão... só não puderam quebrar-lhe integridade e honra, sua firmeza de ser humano. Sérgio se recusou a ser anistiado. "Anistia-se a quem cometeu alguma falta", costumava dizer. "Não posso ser anistiado pelo crime que evitei".
Em 1970, necessitando de um tratamento de coluna, aconselharam-no a não se internar em unidade militar, pois certamente seria assassinado lá dentro. Graças ao jornalista Darwin Brandão, com auxílio do médico Sérgio Carneiro, o capitão acabou sendo tratado clandestinamente no Hospital Miguel Couto.
Nos anos 90, o Supremo Tribunal Federal determinou indenização e promoção de Sérgio a brigadeiro. Tal sentença dependia, porém, da assinatura de Itamar Franco. Itamar, como se sabe, não é nenhum modelo de virtude e, não por acaso, foi vice do corrupto Fernando Collor de Mello, que foi prefeito biônico de Maceió durante a ditadura e se criou politicamente graças ao regime militar...
Por seis meses, o presidente Itamar Franco, mesmo sabendo que Sérgio estava acometido de um câncer terminal no estômago? Guardou, na gaveta, a sentença do STF favorável ao capitão. Só a assinou três dias depois da morte do herói ocorrida em 4 de fevereiro de 1994.
Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho (cuja história é narrada no documentário "O Homem que disse Não" do diretor francês Olivier Horn) foi enterrado no cemitério São Francisco Xavier no Caju sem honras militares. É lembrado, entretanto, por todos aqueles que valorizam vida, ética, honestidade, coragem. Sérgio provou qu e, ao contrário do que muitos dizem, uma pessoa pode mudar a História: cada um de nós faz diferença no mundo.
Fonte: recebido por e-mail.
Marcadores:
ditadura.militar,
ética,
herói,
honestidade,
sérgio.macaco
Assinar:
Postagens (Atom)
